::January 18, 2008

Posted at 11:11 AM

já volto, pode pedir a conta...proveita e pega um ouro branco pra mim.


::December 28, 2007
imoveu **88LOACSSAO E VEMDA**88 como fas
Posted at 09:14 AM

oia o zoom!
daí eu até desconfio se o número de dormitórios é esse_o proprietário só deve saber contar até um mesmo. isso explica porque o campo do preço não está preenchido.


::December 17, 2007
if i go crazy then will you still call me superman?
Posted at 11:25 PM

São situações que triplicam o poder das pessoas. Cenários em que elas alcançam uma posição intangível para os demais e acabam por se tornar donas-da-verdade. É tipo quando o vilão começa a levar bala e a cada tiro se torna mais forte, tipo dois minutos antes do fim do filme. Qualquer pessoa que já se aborreceu no cinema com aquele grupo de pirralhos berrando o filme todo e tacando pipoca um no outro sabe o que é isso. O coletivo dá a eles o direito de agir dessa forma bárbara.
O mesmo ocorre quando escutamos as pessoas opininando sobre atitudes alheias. Desde a cálega com bóbis na fila do compre bem do cambuci até o cara que trabalha com você: ao contar um caso, julga e condena até a última instância. Tenta ser indiferente, mas é capaz de apontar soluções melhores, sempre mostrando sua humildade, frases como "até eu que sou burro consigo enxergar que ia dar merda..." são repetidas sempre. Isso, se tratando de causos simples. Da secretária que esqueceu seu conto pornô aberto no word até seu vizinho que é o corno do mês, tudo poderia ser evitado pelo narrador da história. Descrever um caso lhe reserva um direito de transformá-lo em fábula: reduz os personagens à animais e depois vem a lição de moral do narrador.
Agora, imagine se o personagem é um assassino. Melhor, uma assassina. Norte-americana. Classe média. Linda, estupidamente linda. A melhor aluna de sua faculdade. Acusada, em conjunto com seu namorado e seu chefe de estuprar e degolar sua colega de quarto. É a chance que o povo estava sedento, há tanto.
O caso me chamou a atenção por todos esses fatores e me fez perder um longo tempo pesquisando detalhes. Kinda CSI, sem a resposta no final do sexto bloco. Já faz quase dois meses e ninguém confessou porra alguma ainda_nem Amanda-que insiste estar dormindo na casa do namorado (mesmo com câmeras que a filmaram entrando em sua casa), nem o namorado dela-que diz ter navegado na internet a noite toda (sendo que não há registro algum), nem o congolês -que já foi solto por sua inocência (e fala que Amanda era uma invejosa), nem um quarto suspeito_que afirma ter transado com Meredith minutos antes do seu assassinato (ele alega que parou o sexo para ir ao banheiro e nesse momento alguém a matou). Ninguém entrega nada, mas todo dia o caso tem uma reviravolta. Enfim. Mais do que a natureza e a barbaridade do crime blablablabl whiskas sachê, o que me assusta de fato é com a reação das público perante assassinos como Amanda.
São comentários agressivos, de pessoas tremendamente revoltadas com o que ocorreu. Xingam Amanda de tudo que é nome. Desejam que a vadiazinha americana de merda invejosa morra por bicadas de corvo leprosos na estação sé as 18h30 por ter acabado com a vida do anjo imaculado que era Meredith. Prometem sua morte. Invadem seu Myspace, criam hate pages na internet, rotulam a menina por qualquer característica que tenha. Fez isso porque é uma americana idiota que não respeita o país dos outros. Mente para a polícia bem porque é atriz profissional. Cometeu o crime porque estava doida de maconha. Uma legião de pessoas com muito, muito ódio no coração. Pessoas doentes sedentas por vingança. Gente que toma as dores da família da vítica para si. Bando de safado que a mulher dorme de calça jeans todo dia. Urubus de merda que se aproveitam de desgraças desse porte para terem o direito de ser agressivas e liberar todo o ódio acumulado a tempos.
É uma falsa piedade tamanha que me enoja. Ninguém ali liga de fato pra menina que foi morta_o povo age somente como aqueles figurantes em filmes de inquisição, mandando queimar e apedrejar. Foda-se o crime, vamos linchar. Todo mundo quer ver sangue, vingança, porrada, agridem de forma covarde Amanda porque ELA é a louca. ELA é a assassina. Esse pequeno detalhe lhes dá direito de agir feito bárbaros. A moral do inquisitor eleva a cada acusação. Quem ofende está acima de tudo e todos.
Ninguém questiona se realmente ela estuprou ou matou (o que se sabe é que ela estava na cena do crime), mas ela foi a escolhida do público para Judas. Neguinho não ofende da mesma forma o namorado dela, também acusado, muito menos o africano que comprovadamente estuprou e defecou na casa_sem dar descarga, veja a situação! Elegeram Amanda por ser a mais frágil de todos ali. Fazer algo semelhante com um negro é politicamente incorreto e xingar um filho de médico italiano não tem tanta graça. Porque é mais fácil criticar. Porque é bonito chamar a menina de ladrão, de bicha, maconheira. Porque só em horas como essa que esse tipo de gente pode ser mais que alguém: precisam dessa escória da humanidade que tanto dizem para poder se destacar, numa comparação maniqueísta. Porque é mais fácil se solidarizar com uma família estranha do que com o motoqueiro ensanguentado que passa pelo vidro do seu ônibus e você só olha de curioso que é. Não tem nada heróico em clamar por justiça de um país estrangeiro enquanto você é incapaz de reclamar do seu décimo terceiro que não caiu para o financeiro. É muito raso, covarde e hipócrata. Tenho nojo, um nojo muito muito profundo disso. É esse o tipo de gente que é o pior que existe. Pessoas como Amanda e Suzane Hitchofendsns nunca poderão ter uma vida normal, por mais que se tratem, paguem a pena e criem consciência da loucura que fizeram. Nunca, por conta desse público taxativo e preconceituoso. Porque é claro, as bobas feias chatas e gordas são elas, sempre.


::December 11, 2007
every little thing she does is magic
Posted at 04:44 PM

No Jornal do Ônibus de BH existe uma coluna entitulada Gentileza Urbana. Afixada em todos os coletivos da cidade, essa parte do jornal (na verdade um A3 em couché brilhante) dá super lições de cidadania, quinzenalmente. São dicas, sugestões, conselhos, toques e broncas que os próprios leitores enviam, afim de tornar sua viagem no coletivo uma experiência agradável para todos.
O que há de mais fantástico nessa coluna é decerto a criatividade e poder de observação do nosso incrível povo brasileiro, neste caso, o mineiro. Além dos leitores politicamente corretos- que alertam coisas como "ceder lugar aos mais velhos", "dar bom dia ao motorista" and so on, além da crítica cliché típica de comunidades eu odeio... do orkut como "colocar a mochila na sua frente", "entrar no ônibus com dinheiro trocado", "não ouvir rádio sem ser no fone", "não carregar animais de estimação" temos idéias impagáveis de pessoas doentes que provavelmente são blogueiros ganhando apostas e o feliz conscentimento dos redatores bem-humorados que as publicam. Sendo leitora frequente da coluna Gentileza Urbana por quase três anos gostaria de destacar algumas frases que para mim, marcaram época

"Higienizar as axilas antes de entrar no coletivo", com uma ilustração de apoio do sujeito não-gentil soltando morcegos por debaixo da blusa.

"Não tirar casquinha de outras passageiras", em uma composição, enquadramento, estilização e dramatização de corpos praça é nossa-like.

"Não soltar pum dentro do ônibus"

"Pegar mais leve nos amassos com sua cara-metade"

"Ao dormir no ônibus, não ronque ou apoie em seu vizinho"

""

Pois hoje resolvi colocar em prática toda sabedoria mineira que me foi passada. Ao ônibus frear, uma caixa de madeira de alguém lá de trás veio parar embaixo do meu banco. Não me recordo de um Gentileza Urbana a respeito de artigos de marcenaria, mas acredito que esse lance de recolher coisas do pessoal tem uma vibe de ajudar, que tem super a ver com o gentileza urbana way of like. Mal começo a recolher as coisas e me deparo com um button do Bob Marley. Fuckin maconheiro. O segundo objeto era uma agulha. O terceiro, um papel recortado com a letra E. Olhei direito para o chão. Tinham agulhas, penas de galinha, pedaços de pelúcia, papeis escritos e amassados, linhas vermelhas e amarelas, pétalas de rosa, sementes, imagens de santos, broches, pêlos, grampos, tesouras. Aos poucos ia recolhendo tudo do chão e colocando na tal caixa, que estava na mão de sua dona. Levantei meus olhos até ela. Pelo seus trajes, devia fritar acarajé na joão mendes nas horas vagas. Porque aquela hora, aquilo era hora de trabalho (pegou, pegou?).
Daí minha sugestão de Gentileza Urbana para semana que vem (o dessa só verei no sábado):

"Não fazer despacho dentro dos coletivos".

(estava em dúvida entre "ajudar passageiros a recolher seus artigos de macumba do chão" e "respeitar e interagir com a religião dos outros passageiros", mas acredito que de uma forma ou de outra os redatores já lançaram algo nesse espírito. Apesar que o lance de carregar bichos já ter sido citado também.)


::December 10, 2007
black list pt 01
Posted at 04:28 PM

Tem a clássica namorada do amigo. É aquela menina do cabelo escorrido, mechas loiras sem retoque há dois meses, figurino de manequim da Renner, brincos enormes da 25, sombra prata entre o olho e a sombrancelha (igual você fazia na sua barbie cabeção), sandália anabela e francesinha nas unhas. A namorada do amigo é uma extensão, somente. Ela possui dois vínculos de apoio: mão direita de mão dada, braço esquerdo abraçando ele_revelando suas axilas escuras da depilação da semana passada. Demais pontos de contato podem até existir, mas acredito que sejam mais comuns em praias da espanha, darkrooms e hoteis hilton-e claramente esse barzinho mainstream que seu amigo ela escolheu está longe de ter toda essa volúpia. Ela é como uma parasita, um peso morto que interage poucas vezes com o meio que a cerca: apenas dá selinhos a cada meia hora no seu amigo e cantarola baixo a música (normalmente U2, hotel california ou afins) que está tocando ao fundo, balançando suavemente sua oca cabecinha. A moça atua nas como se estivesse naquele quadro do video show: comenta os mais diversos fatos de forma binária: com certeza ou fala sério. A fila do banheiro está enorme porque uma louca se afogou na privada, interditando um dos únicos dois sanitários? Fala sério! É uma fila tão interminável a ponto de querer se afogar na privada quando chega a sua vez? Com certeza!
Não bebe, daí costuma pedir um suco, água (!!!) ou, se for botá pá quebá, daí pega uma caipirinha_que, após o segundo gole alega estar forte, pedindo para o namorado beber (vez dessas eu e meu namorado bebemos toda a caipirinha da menina enquanto ela ia ao banheiro e o namorado pagava no caixa. só de birra.). Não quer pedir nada para comer porque já jantou_no entanto, por não falar nada (além do com certeza) destrói os pastéis de camarão da porção mista que pediram sem que alguém perceba_deixando os sabores mais losers na cesta.
Ela tenta interagir, claro. Ao saber que fiz engenharia, exclama "nossa, cálculo é difícil, ai, odeio matemática.". Descobre que faço desenho industrial e exclama "ai, qualquer dia quero ver seus desenhos". Quando o namorado vai ao banheiro, pergunta que tinta você passa no cabelo_como se um dia fosse abandonar os tons loiros para tacar um vermelho, mas mesmo assim, suspira "um dia eu vou ter coragem e ficar ruiva!". O namorado volta do banheiro, e ela pergunta se furar o nariz doeu, daí mostra aquele pingente de celular grudado no umbigo e conta a aventura que foi para aquele barriga flácida cuspir todo o pus da inflamação.
Ela existe no piloto automático, enfim. Te faz pensar que sua performance sexual deve ser seu fator diferencial_talvez pelo contraste de sua personalidade rasa ou então justamente pela genialidade de continuar nesse piloto automático 100% do tempo, fato que, acredito, gera fetiches mil.
pretty noose, soundgarden


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bu